sexta-feira, agosto 21, 2009

Porto seguro


Hoje sonhei que estava em uma boate, com luzes coloridas piscando em minha volta, um cheiro de coisa que não existe. Nada em mãos. Estava de branco e não me estranhava por isso. Não encontrava o chão de baixo dos próprios pés, como se estivesse suspensa, e praguejava silenciosamente. Sentia meu corpo leve, agitado, enquanto olhava fixamente para ele: um único ponto que não girava com o resto, com olhos mais claros, pele muito branca contrastando com lábios muito vermelhos, sem maquiagem. O único ponto ao qual meus olhos podiam se fixar. Pessoas ao meu redor dançavam uma música duvidosa, todos usavamos roupas brancas que refletiam aquela frenesi vinda de todos os lados, verde e violeta. Estava parada, mas minha cabeça se virava para todos os lados e os olhos não o perdiam de vista. Eu senti que sorri, vi a mim mesma sorrindo... vi ele, firme, ancorado em meio aquele ar poluído de som e fumaça cintilante que pareciam não causar nenhuma interferência visual nele. Uma imagem limpa mergulhada naquela atmosfera pulsante. Ele se aproximou naturalmente. Eu disse: "metilenodioximetanfetamina..." e ele disse: "Sim, eu sei."...

Acordei depois de alguns sonhos mais "sucintos". Lembrei-me da palavra. A única no sonho inteiro vinda de mim. Então novamente eu sorri, sorri muito pra mim mesma, jogada na cama, pensando na superação de minhas condições psicológicas e de que realmente... enquanto eu tiver estas curiosas dádivas chamadas imaginação e consciência, não precisarei infamar minha integridade física com o uso de qualquer "coisa" daquele gênero. Afinal fui eu que passei uma noite dançando Prodigy em uma pista vazia e só parei porque a Barker começou a tocar (no hard fellings).

Os sonhos me traem, mas aquela imagem inabalável se mantém... um porto seguro. Sem dúvidas, a transgressão dos sentidos é natural para o verdadeiro potêncial da mente humana.