domingo, setembro 27, 2009

Gloomy sunday


Eu que vivo nesse mar de tribulações e assimetria, passo os dias tentando corrigir os erros que cometi ao procurar, na lógica, uma maneira de acertar. Mas acertar o que? Perdi-me, enganei-me por ansiedade e euforia frente as possibilidades da vida crescida - uma abstração incerta das responsabilidades que se tem à própria sobrevivência. Uma fase de letargia romântica, fumaça e moralismo enlatado vindo dos nossos experientes progenitores; a dor da separação e a dubiedade entre família e nova-família; decisões que reverberam para sempre em nosso estilo de vida. Crescer é um monstro que engole a vontade, faz 'ser', apenas; é a repressão dos sonhos, a rotina, o igual dentro de tudo, da "reversão monetária" do tempo, da felicidade. E eu quero me ver livre disso. Enforcar o monstro e impedir que meu futuro seja mais um coração reprimido numa mancha cinza e inaudível.

Preciso aprender a viver de maneira intuitiva, sem razão nem lógica, deixar que meus pensamentos se relacionem por si sós e que minha boca grite quando a vontade for essa. Cansei de esperar para mim uma realidade que embota as faculdades 'humanas' de sentir, que dita silenciosamente o individualismo em prol da sobrevivência, que elitiza a felicidade.

Morreria de fome seguindo meus sonhos antes de sobreviver em uma realidade vulgar como a de hoje.

2 comentários:

Pâmela Martini disse...

By the way, a música é sim um remix da "hungarian suicidal song", na versão em inglês de Billie Holyday. Existem várias versões, em outras línguas, mas essa é, na minha opinião, uma das mais bonitas.
Realmente, uma má escolha para um final de domingo... mas saibam que estou viva e com sede.

Aqui vai o link:
http://www.youtube.com/watch?v=DtaDpEK31CM

Pâmela Martini disse...

Minha vida é basicamente uma longa faixa de trip hop em todos os seus elementos característicos.