sábado, janeiro 30, 2010

É uma dor que não dói.

Hoje era um dia em que eu gostaria de sair pra dançar. Dançar até o meu salto quebrar, beber até meu sangue afinar e meus olhos ficarem cansados demais pra se preocuparem com detalhes, rostos, boca, camisa de marca. Dançar até ficar tonta, até meus pés sangrarem, até todo mundo ir embora da pista e o segurança me por pra fora. Manchar meu vestido mais caro de vinho tinto. Queria beijar a boca de todas as mulheres solitárias, enxugar os copos de cada homem tímido jogado em um canto e sair disparando flechas de amores cegos, de tesão, de desejo mórbido. Hoje eu queria entrar em todas as festas da cidade, beber drinks cafonas de todas as cores e aparecer em todas as fotografias posadas e forjadas, pra todos verem que eu estava lá, dançando até meus pés pedirem água, beijando até a boca criar feridas. Dançar feito uma criança autista. Dançar como uma drag queen vestida de purpurina e mega hair. Dançar com os espelhos do bar, com cada pessoa que me chamasse pelo nome. Dançar até as luzes da cidade se desligarem e as estrelas se dissiparem entre raios tímidos de sol. Porque daí todos veriam que lá, no meio da rua, eu estava dançando, até o alcool acabar e eu cair no ridículo. Dançando até minha meia furar e um pouco de mim morrer no meio de um já esquecido resto de noite.

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