sexta-feira, março 19, 2010

Oh, kiss me,! Lick your cigarette, then kiss me!

Ele é sempre mais ansioso com essas coisas. Eu ficava naquela expectativa contemplativa enquanto passava chapinha nele e decidia se ia ou não com minhas botas. "Teu primeiro show Pâme! Como tu te sente?" "Me sinto prestes a enfrentar o drama de uma boiada partindo pro ferro, mas tudo bem. To feliz." Estava feliz. Muito! A van da Atlântida ia chegar a qualquer hora. Liguei pra ela. Consegui, de todo o coração, fazer com que ela saísse junto da gente. Eu achei que não, mas foi. E chegou a ser uma lição de paciência.
Telefone: jááá? Corre tchê! Lápis, câmera, celular, identidade! A loirinha simpática me abraçou e eu fiquei sem jeito. Tiramos fotos com nossos colegas de van e dava pra ver as faiscas saindo da cabeça de todo mundo. Nem sinal de gelos na barriga. Estacionamos na saída do backstage: "aí ta o gelo!" Mas logo nos aglomeramos com o resto dos indies, cambistas e da fumaça de churrasquinho. Ceva! Meninas! Ceva! Banda de abertura terminou? Feito!
Entrando lá, meus pelinhos saltaram da pele. Meu primeiro show! Perdi outra virgindade. Se bem que teria perdido de qualquer jeito com todo aperto e encoxamento gratuito. Achei incrível aquela massa de gente que te sovava e cuspia a todo custo pra fora dos bons lugares. Lutamos, os quatro cabeçudos... chegamos no meio (eles subiraaamm!), um pouco mais pra frente, mais um aperto de bunda, um empurrão de mina barraqueira, uma cena de biba loca de lenço jaguar no pescoço. Chegamos láááááá. Pra ouvir a voz dele sem o microfone e embalar o pessoal naquele mar agitado de gente que pulava e te levava junto... era epidêmico!

Laaa, la-la-la-la, Ulysses, I've found a new way, I've found a new way, baby!

É deliciosa essa euforia. Essa coisa boba que é poder abstrair o fato de que todos os teus ídolos são intangíveis e podem estar aí, à 10 metros de distância, por mais inalcansáveis que esses malditos 10 metros possam ser, claro (pensei na minha cabeça: Ctrl+shift+\ no clip mode on). Não acho condenável. É über divertido e contagiante. É bom gostar muito de certas coisas. E como. Aahh! Pula! Pula! Canta! Eu sei a letra! Todo mundo tem que ver como eu sei a letra! Aahh! Pula! Pula! Meu cotovelo de encontro com o nariz de uma patricinha invocada. "Desculpa! Desculpa!" "Vai ter noção sua idiota." "Ah, então te f*de! Ao menos eu to inteira!" Ai minhas panturrilhas! Lá na frente, beem na frente não tem beber, não tem descansar. Calo pisado, dor de viado, bafo e suor. OK! Tá lindo! Eu amo vocês. Tocando pra mim lá em cima, sem nem ao menos saber. Eu peguei a palheta no ar! e três boca-abertas-do-inferno roubaram da minha mão antes mesmo que eu pudesse abaixá-la. Toda a inveja que eu causaria. Não dá! Ceva! Beijos Alex, te vejo no backstage! Haha.
Voltamos rápido na contra-mão do maremoto. Bebe-fala-pipi-cabelo-dança-caça. Mulheres são um doce! E duas das mais lindas como companhia. Mesmo não indo mais morar com ela. Um doce de vida por trás daqueles olhos de gata siamêsa. Eu me apaixono pelo gênio. Apaixono, desapaixono, pego nojo, ou desinteresso... raramente vai mais longe. Mas eu me dou esse direito, de não reprimir o coração justo de sua mais bela função. Apaixonar-se uma, duas ou três vezes por semana, mês. Apenas 'nunca' perder a crença no amor.
O show termina. Vamos para a van pegar nossos brindes super-maneiros enquanto conversamos: nariz, casa, rinite, gatos. Amo sphynx! Ela tem gatos, a Pri. O Rapha odeia gatos. "Então como tu viveu 5 anos com tua...?" "Aquela lá?" "Ééé... buenas, sejam felizes pra sempre e tenham filhos oxigenados com cara de cuia" "Disko club?" "Right on!"
Depois da jornada atrás de taxi e uma corrida de 30 pila, nós quase nos obrigamos àquele fim de noite! Lucas estava lá! Livre como um morceguinho irlandês! Brindamos: um Peter, por favor! Dançamos: loucos, bebados, ensandecidos; beijei e cantei e fiz passinhos gays de jupiter. Não derramei nada!
Mas chega a hora que o tanque engasga e não tem outra... saimos: loucos bebados e podres... Comer salgado e tomar suquinho valle no posto da Felix. Falar bobagem e passar mal na porta do banheiro. Depois acompanhar a baby Pri até... uma esquina próxima de sua casa. Voltamos de taxi e morremos naquele velho sentimento incestuoso de reciprocidade, um nos braços do outro.

Talvez tenha muito amor nesses dias simples... mas a gente nunca quer admitir.

2 comentários:

Drug disse...

Dias simples? HAJA simplicidade no turbilhão que foi ontem.
hahahahahaha.
BAITA DIA!
BAITA NOITE!
Melhor companhia pra qualquer coisa EVER! Principalmente para ganhar promoções, hehehehe.
^^

Pâmela Martini disse...

comparado com a nossa vida normalmente...