sexta-feira, abril 30, 2010

A beleza.


(O café seeempre do lado.)

Meu primeiro trabalho de cerâmica poderia ter sido um singelo e humilde cinzeiro, um pote menstrual ou um livro. Mas já dizia Deus ao me mandar à terra: "serás uma cabeça-dura com o dom insuperável de tornar tua vida sempre mais complicada". Amém. E poucas pessoas sabem, mas meu real objetivo dentro do I.A. é me tornar mais próxima do corpo humano, de ter a capacidade de me apropriar por inteiro dele, em suas mínimas nuances e variações. Por isso tive de começar por algum lugar - prazer, minha mão direita - e aprender a representá-lo, a reproduzi-lo, a interpretá-lo. Sou um daqueles casos que desconhece os termos "bonito" ou "feio", e isso foge completamente a possível interpretação de hipocrisia que algumas pessoas teriam de mim devido comentários superficiais que remetem única e diretamente à tentativas ignóbeis de reerguer meu pobre e rancoroso ego. Eu, por excelência, tenho paixão por pele, pêlos, rugas, marcas de nascença, de experiência, de vida, e fico uma fera quando um certo Herr Capella fica recriminando mulheres por não agradarem o seu "gosto pessoal". Um artista deveria saber lidar com gosto pessoal e sexual separadamente das diversas concepções estéticas de beleza, e estar ciente de que um não anula o outro. Isso é questão de sensibilidade. Acho que as únicas áreas que nos dão a possibilidade de entrarmos neste nível de intimidade com a anatomia humana são as da medicina e das artes. Logo, se alguém que passa por um ou outro ainda mantém este tipo de preconceito, eu tenho apenas que lamentar a ignorância.

A verdadeira beleza transcende qualquer concepção superficialista de "perfeição". Ela é, antes de qualquer outra coisa, um nível superior de envolvimento estético com a 'forma' ou 'formas' em questão, que remete a uma esfera de experiências pessoais ou coletivas e sua contextualização social e cultural. Cabe a nós, aprender a apreciá-la e, principalmente, criticá-la sem a necessidade de negá-la.

E antes de fechar o post, peço encarecidamente que meus caros anônimos cruzem os dedos para que minha obra inicial de cerâmica, não vire uma bomba de oxigênio dentro do forno da faculdade.

2 comentários:

Ana Roberta disse...

*clap*clap*clap*

Pâmela Martini disse...

oi minha grande pequenina

:*

danke shon!