quinta-feira, abril 29, 2010

Where is my mind?


Hoje o ar está atípico. Até o cheiro da humidade é outro, e meu humor está traiçoeiro. Odeio início de inverno. Essa onda de nostalgia que acompanha os pés gelados, as músicas de madrugada, meu apartamento, os capuccinos muitos quentes e os timbres resfriados e ternos sob as colchas de pena, reverbera dentro de mim como uma cefaleia aguda. Talvez o tempo livre tenha vindo cedo de mais esta semana, e agora percebo uma solidão inesperada, como se eu parasse de existir pela cabeça dos outros, por ninguém esperar nada de mim, ou ao menos saber de mim: "Ela tá em casa, sentada na frente do computador, com aquela gola alta ridícula tapando a boca." E a princípio soa um baita melodrama, mas me fez notar como tenho deixado de aproveitar as miudezas da vida por ter esse maldito programa instalado na cabeça que diz para me preocupar com as 'outras' pessoas antes de ouvir os próprios pensamentos, antes de agir espontâneamente, de pensar em aposentar as máscaras da conveniência social. Tenho saudades sinceras do meu passado, de mim, da Pâmela ela mesma, antes deles, que sabia o ser sem mais ninguém.

Eu gosto de ser Pâme, magrela, obcecada, perfeccionista, extremamente instável e tendenciosa. E eu cansei de pensar que minha plenitude está nos outros, mesmo tendo na cabeça que isso é uma baita verdade, mas infelizmente saturou. Começando por aqui.

Cansei e p o n t o '.' Só quero um colo de mãe, chocolate quente com pantufas e um narizinho gelado na minha bochecha.

3 comentários:

Van. disse...

Awn que meiga.
Também sinto saudades de mim. Mais do que TUDO. É como um túnel em que vamos caindo e "absorvendo" aquilo com o que deparamos pelo caminho. Não "cair" num sentido ruim, mas num sentido de mudança. Existe um tempo em que começamos a nos misturar DEMAIS (no meu caso, pelo menos...talvez por ser pisciana com ascend. em câncer, o que me faz ser TOTAL àgua e absorver como uma esponja tudo de todos e em todos os momentos) e quando a gente se dá conta parece que não tem mais volta. Bem, voltar não tem como, nem gostaria, porque isso seria regredir, mas às vezes é necessário parar e dar um tempo. Agir um pouco mais espontaneamente, tentar entrar em contato com a nossa essência verdadeira e pronto. Enfim... Como tu mesma dissestes "aposentar as máscaras da conveniência social".

Pâmela Martini disse...

claro... sentir saudades não quer dizer que eu queira voltaaaar praquela ou pra essa época. Minha vontade mesmo era resgatar um pouco dessa liberdade que eu tinha comigo mesma... é chato tu te dar conta que de uma hora pra outra tu perdeu a tua autenticidade para se tornar uma colcha de retalhos alheios.

mas é tudo parte de uma longa discução sobre a perda da identidade nos dias atuais... não somos, nem de longe, as primeiras ou as ultimas a abordar este tema em uma conversa....

o melhor remédio é manter o modo "fuck-off" a toda frequencia.

Van. disse...

Haha. “Fuck-off” a toda freqüência! Deve ser o mais indicado mesmo.
Mas me diz, onde/quando tu apredeu a falar Alemão? O.o

Bjin!