quarta-feira, abril 14, 2010

I love you - just for today.

Certo. Estamos de molho em uma época característica, onde todas as coisas tendem a efemeridade. Nosso dia-a-dia é um looping de eventos descartáveis, perecíveis, voláteis; um consuma-em-até-24-horas passível de esquecimento. E, assim como elas, as relações interpessoais - cada vez mais imaturas e frágeis. Eu que sou uma nene de 20 e poucos anos, fico sem reação ao ver marmanjões, da idade dos meus pais, lidando com sentimentos e namoricos de maneira extremamente púbere e inconseqüente. E como eles, os próprios jovens. Não existe mais a discussão fervorosa, o compartilhamento de ideais, gostos literários, estilos musicais ou posição política. São casais/grupos voláteis, de interesses enfadonhos e básicos que nem ao menos têm capacidade de discutir ou criticar o próprio estilo de vida “trabalhar-ostentar-respirar-consumir”. And I’m fed up with this bullshit – da cabeça aos ombros, joelhos e pés.
Eu constantemente reclamo com as paredes de que sinto falta de amigos mais “ativos e interessantes”, mas toda vez que me apaixono e crio esperanças com alguma amizade em potencial, acabo levando nas fuças e jogando todo o esforço e encanto por água a baixo na segunda ou terceira semana. O Rapha diz que sou exigente DEMAIS. Mas tchê, o meu real problema é “idealiza-las” antes de as conhecer melhor; ou já ter um ideal de “pessoa-mais-divina-inteligente-maravilhosa-around-the-world” grudado no encéfalo e não aceitar meios-termos (vide exemplos claros neste blog). Alienei-me dos desconhecidos, tornei-me este santo porre que é ser vulnerável e volúvel ao mesmo tempo e aprendi a descartar relacionamentos meia-boca ou em declínio, que se mantinham por conveniência, e por outro lado, a valorizar os duradouros, pois, mesmo que nem sempre aquele esplendor inicial se sustente com o passar dos anos, de lá eu sei que posso ter um retorno seguro de parceria, respeito e amizade - desde que eu faça questão disso, óbveo.
Não tenho guts para amputar alguma de minhas poucas relações antes que meu organismo esteja acostumado com a situação. Sempre achei trágicas estas histórias de casais/amigos que tiveram relacionamentos fartos e duradouros, transformados gradualmente em um mar de ignorância e desdém. E conseqüentemente, sempre censurei um pouquinho o Rapha (o Lucas não), ao dizer que não se deve cortar um pedaço de vida fora por causa de “detalhes” (eufemismo, não ironia); destruir toda a memória física existente e fazer todo o esforço possível pra apagar aquela vida da cabeça pra tornar a convivência consigo mesmo mais suportável. Porque no final, a porcaria da nossa memória vai nos trair. Porque somos sempre um pouco de todos que passaram por nossas vidas, sem ao menos nos darmos conta. Porque por mais que o ‘amor’ termine, nós já assimilamos costumes, gírias, gostos, manias e histórias que ficam conosco pra sempre, que nos enriquecem como seres humanos e que nos remetem a sua verdadeira “origem”. Feliz ou infelizmente: somos feitos desse amplo espectro de “passado” que converge para o futuro, e nada mais maduro que admiti-lo.
Talvez seja eco da minha própria imaturidade e inexperiência no ramo das inter-relações, mas espero nunca ter que negar ou difamar aquilo que vivi com prazer e vontade, por alguma conveniência minha. Seria negar uma parte do que sou hoje, pelo que fui ontem, e acho que sou mais forte que isso.

Mais uma vez eu desviei horrendamente do assunto.

Paciência...

10 comentários:

ana ri disse...

gosto quando tu desvias do assunto e te entregas pro fluxo. talvez falte isso no quesito "amizades". ;)

Drug disse...

"Fast Food Friends"
Come tanto, tanto, tanto... em tão pouco tempo, que enjoa.

Pâmela Martini disse...

se alguém me proporciona esse "fluxo" eu faço questão de ir até onde for possível... mas o foda é que isso depende muito de mim e desse meu barquinho capenga navegador de fluxos de amizades...

e rapha... tu ganha de mim nas comparações exdruxulas... adooooro, por mais que tu tenha que ter explicado isso no msn.

Van. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Van. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pâmela Martini disse...

Bah tchê... façam o que quiserem mesmo... eu só dou a MINHA opinião. Não é de toda a verdade que manter certas pessoas por perto pro resto da vida seja bom... deve ser traumatizanre em alguns casos... sei lá! "eu e meu ex marido somos melhores amigos." bah, soa estranho... mas: " é que eu descobri que sou lesbica e ele me deu todo o apoio."
aaaaaaaaaaaaaaaaahh.. ai vai...

né? né?

tudo depende do contexto!

bom fim de semana a todos os 3 leitores que clicam a toda hora aqui pra parecer que tem gente aqui... haha... capaz

:*

Van. disse...

(eu vivo falando isso "bah tchê" =P) como assiiiim? eu exclui meu comentário! muito prolixo (consigo entender e sentir, mas n consigo traduzir "pro papel" arrrg)! =B

sim, claro... concordo, tudo depende do contexto...

"bom fim de semana a todos os 3 leitores que clicam a toda hora aqui pra parecer que tem gente aqui..." HAHAHA eu ri

beijo

Pâmela Martini disse...

beijo neguinha

:*

Misscelânea disse...

é incrível a minha identificação com o que tu escreveu no teu post... talvez tu tennas mais do que meros 3 leitores...

Pâmela Martini disse...

todos somos suscetíveis ás mesmas experiências after all... n tem muito o que dizer.

e aaah, eu fico tri feliz - e sem jeito - de saber que tem mais um ou outro entrando aqui, que não por acidente.

brigada miss.

:*