domingo, maio 09, 2010

Meu coração.


Não sou nada ortodoxa com datas de comemoração convencionadas, mas dia das mães é mais que um convite para refletir melhor sobre o assunto. Há três anos, meu convívio com ela (e a família) se reduziu a duas vezes por ano e, pra uma garota acostumada com cafunés, suquinho de laranja fresquinho na cama, livros e revistas novos, mimos e "corujices" 24h, a adaptação psicológica foi difícil. Levou um tempinho até abstrair a distância, os freqüêntes puxões de orelha, as birras por ciúmes, a solidão, as notícias talvez escassas, e criar um relacionamento de reciprocidade até maior que o que tinhamos.
Me pego pensando: "What a lucky girl I am". Ter uma muttylein forçuda o bastante pra criar duas meninas com praticamente a minha idade, terminando a faculdade e segurando os ricos dinheirinhos. Afinal, minha criação não foi tão rica em bens materiais, quanto foi em conhecimento. Desde muito cedo, eu desenvolvi o gosto por leitura e decorava os livros que ela lia pra mim; ficava acordada de madrugada ao lado dela, pra gravar, em vhs, os episódios de balét clássico, ópera, e música de "Concertos Internacionais" - extinto programa da rede globo; criei uma consciência social básica com suas explicações do porquê nem sempre eu podia ter o que queria; fui incentivada às artes, começando pelo papel de parede; ouvia bossa nova, mpb e muuito k7 do saltimbancos e de jeito algum era exposta à cultura inútil, Faustão ou filmes violentos. Hoje eu até confesso que muito desssa infância 'poética' acabou me tornando despreparada para o mundo de verdade - aquele que te abocanha no primeiro passo em falso (mas isso é assunto particular). Enfim, não vou ser melosa ou visceral em um espaço público, só não quero deixar passar em branco o meu baita amorzão psicopata de coruja filhota em um dia que, por convenção ou não - whatever, todo mundo procura homenagear suas respectivas mamães.

Lamento não ter nenhuma daquelas fotos de infância, superbonitas e cotadas pelas tias solteironas, então vou postar uma música muito especial, que ela cantava pra mim e eu cantava junto, sem saber o quão raras são estas delicadezas.

(Um dia a Miranda vai ouvir.)

Um comentário:

UMBELINO disse...

gostei d seu blog! ;)
autenticidade pura!
vlw positive vibes kisses.