terça-feira, março 17, 2009

Médica + Escritora + Designer => Teste vocacional FDP!

Não foi um raciocínio aleatório. Na verdade tudo veio à tona depois de uma certa broxada na aula de ontem. Não era esperado. Resolvi fazer um teste vocacional por descargo de consciência. Again. E pra que? - isso mesmo... pra tomar na testa 3 vezes. Segundo os resultados, fui considerada uma investigativa e artista em segundo lugar, enquanto que meu "ímpeto" social foi pisado e colocado em última instancia como característica a ser relevada. Haha, haha de novo. Conhecendo a mim mesma não estranharia esse tipo de conclusão, mesmo que formada através de algum algoritmo espertinho. Lendo o resultado mais adiante, procuro as características de cada perfil... Sinto-me fabricada dentro de uma forma, mas nesses testes, tudo costuma cair feito uma luva:

”Gosta de trabalhar só e resolver problemas; Leva jeito para ciências, mas não gosta muito de chefiar uma equipe, pois preza sua independência; Circunspecto, minucioso, metódico, curioso e de hábitos intelectuais; Criativo. Nem sempre tem paciência para levar uma idéia até o fim; Trás novas maneiras de encaras problemas e encontrar soluções; Prefere trabalhar com idéias originais e auto-expressão mais que rotinas e regras; Complicado desordenado, emocional, idealista, impulsivo, introspectivo”.

Sei bem dos meus problemas em relação às carreiras médicas, e quem ouve sobre eles, diz que eu poderia muito bem ter seguido outro curso na área de saúde. Eu abomino essa idéia, pois na época, eu tinha as minhas convicções, queria ser médica, pesquisar, passar a vida me desdobrando para descobrir soluções melhores aos tratamentos de patologias e lesões cerebrais. Minto. Sempre quis cirurgia. Neurocirurgia, micro-cirurgia. Sempre me ative a minúcia. Mas meu grave problema de ansiedade, somado ao tremor fino em minhas mãos, acabaria por me deixar tão aflita na hora da cirurgia, que eu acabaria fugindo da sala, antes mesmo de mexer no paciente. Longe de ter algo a ver com sensibilidade. Sempre fui reconhecida por ter guts, e desde pequena me encantava em poder ajudar e opinar sobre os joelhos retalhados e dedos dilacerados de meus amiguinhos (sim, vivi entre meninos). Apesar de eu aparentemente ter tido uma aptidão muito maior para traumatologia quando pequena, cresci dividida entre os constantes elogios sobre meus desenhos e os comentários de professores e principalmente os de minha mãe em relação ao meu temperamento e tendências à medicina evidenciados sempre através de minhas colocações cientificas e postura cética sobre quaisquer assuntos que fossem abordados. De qualquer forma, sem ter condições de partir para uma carreira de cirurgião, teria que apostar na carreira de pesquisadora mesmo... Mas não, eu comecei a perder o tesão.
Outras profissões? Psicólogos são fanfarrões que vivem dopados e servem de receptáculo afetivo para donas de casa consumistas e vazias. Enfermeiros interagem demais com as pessoas, mais do que eu gostaria e são muito limitados em suas funções dentro dos hospitais - importantes, mas de conhecimento limitado (se não o fossem seriam médicos também). Biomédicos são interessantes e extremamente necessários no campo de pesquisa, mas não trabalham exatamente com as pessoas em si, apenas com as suas químicas regentes.
Então o que me resta fazer? Partir para o outro hemisfério do meu amorável cérebro e buscar um caminho alternativo em direção ao extremo oposto da coisa: artes. Tão subjetiva e abrangente; sensível ou visceral... nada tem a ver com ciência. Uma artista cética. Como poderia eu traduzir todas as propriedades organolépticas ao meu redor em gravuras ou esculturas que transmitissem fielmente meu íntimo? Tirando um pouco desses floreios e metendo um pouco de objetividade e ciências exata. Certo? Certo. Foi AÍ que eu cheguei em produção e direção de jogos digitais. Foi então que eu pensei que, depois de uma tentativa frustrada na faculdade de design, eu conseguiria finalmente decolar na vida. Mas agora me encontro em meio três dúzias de “input punheteiros” irritantes com os quais eu PRECISO me entrosar, pois praticamente todo o curso é trabalhado através da dinâmica de grupos. A maldita necessidade de sociabilizar, justo no meu fraco. E o pior não está aí... Está no fato de que jogos não vão melhorar a vida de ninguém, não trazem amparo nem cura pra nada... Foi nessa hora que eu broxei... e resolvi fazer o maldito teste vocacional.

2 comentários:

Ms.Martini. disse...

Eu já estou de boa com minha dubiedade!

Nunca ficarei de bem comigo se ficar apenas em uma das pontas. E conhecimento NUNCA é demais. Da vinci foi de tudo um pouco e fez todos esses "poucos" com amestria.

E é por aí que eu vou!
Médica+Escritora+Artista
whatever...desisto de reprimir a mim mesma.
quem sabe um dia não conseguirei tudo? a vida está ai esperando pra ser vivida... e aproveitada.

Ms.Martini. disse...

maestria*