segunda-feira, junho 14, 2010

Art my ass.

Hoje, nossa monitora X, que foi aprovada com conceito máximo para o mestrado na UFRGS, apresentou seus trabalhos para a turma. Mal-pude-esperar. Sentei-me bem ao fundo, com a carranca escondida, caneta em mãos e a matraquinha bem fechada. A medida que ela explicava seu processo de criação e produção, junto com todos os motivos plausíveis que dariam coesão ao produto final de sua obra, slides dos respectivos trabalhos eram projetados na a parede. E a caneta entrou em ação, pra evitar que o meu furor se extravasasse pela boca e o turpilóquio me garantisse um belo de um conceito D. A monitora mostrava uma postura bastante poética em relação aos materiais que usava e articulava maravilhosamente bem sobre obras que não passavam de riscos duros ou diluídos, pouco sedutores, escorridos sobre telas relativamente largas. O tipo de trabalho nada inovador, que ninguém mais pensaria em desenvolver, pois intuitivamente saberia que não poderia vingar como arte culta. Pois bem, hoje eu descobri que pode. E durante o intervalo, concluí para os meus colegas, em tom de conversa de bar, de que, no meio acadêmico atual, os artistas devem saber falar sobre seus trabalhos melhor do que faze-los. Ou seja, se você é um bom orador, pinte riscos, vire artísta e ganhe dinheiro.

Um comentário:

melissawebster disse...

Eu pensei coisas bem semelhantes quando vi a apresentação dela. Mas não me surpreendi com o que vi porque já esperava algo do tipo, o sistema acadêmico das artes é movido a isso.

É triste porque parece publicidade, que não importa o talento ou a criatividade em si, mas sim se o autor sabe vender e argumentar :/