terça-feira, junho 22, 2010

Uma união desnecessária.

Antes, uma espiadinha na aula de Fundamentos:

Eu, pintando meu muso inspirador Horácio (a cabeça de boi);

Minha colega e sua boneca decepada;

Angie e sua chaleira demoniaca;

Esse pessoal do IA veio tudo do inferno, só pode haha...

Mas enfim. Hoje fomos para a exposição "Horizonte Expandido", no Santander (que eu relutava ir) e me enchi de desgosto - como esperado. Achei infame essa idéia que os artistas contemporâneos têm de se livrarem da 'arte contemplativa' e tornar qualquer evento cotidiano e corriqueiro em uma expressão de "arte". Eu não estou criticando o desprendimento das formas e processos clássicos da arte culta (pintura e escultura), que surgiu com 'meu' Pollock, e sim a vulgarização do meio artístico ao englobar temas vazios e maçantes. Se assim for, então qual é a moral de haver TANTA polêmica na hora de teorizar 'Arte', se tudo que se faz pode ser considerado como tal? Nojo! Tenho nojo mortal disso! Preciso esquecer desses horizontes expandidos rápido, pra não me estressar mais. Só espero que a semana me traga surpresas melhores que batatas de vidro ou canários amarrados.

7 comentários:

Stregoica disse...

Grande dilema da arte “cultura ou lixo?”

Posso gostar, sentir e interpretar uma obra de arte, mas isso não muda o fato dessa obra poder ser medíocre no ponto de vista de um crítico de arte* (vice-versa)
Mas o que é arte? Se não há um conceito definido, arte é qualquer coisa que a crítica ou o mercado que a consome diga que é...
Fora que hoje, críticos têm medo de dizer o que até ignorantes conseguem ver sobre a arte. pensa.. a maioria dos artistas famosos não foram muito bem aceitos pela ‘critica’ do seu tempo (morra e daqui alguns anos talvez teu trabalho seja valorizado).
Com medo de cometer um erro, com medo de deixar o seu na reta, eles(críticos/mídia/consumidores) julgam tudo arte.. vai que estejam diante de um da Vinci e não saibam reconhecer. oO

Banalizado é pouco, hoje os próprios artistas são vitimas e ou prisioneiros da estrutura repressiva do mundo da arte.. se submeta ou seja um artista marginal.

É o que acho atualmente.

*parabens pelo blog,ele é gostoso de se acompanhar.

Pâmela Martini disse...

bah mulher! isso é um assunto que eu e meu grupinho vive discutindo na faculdade.
depois que a arte se desprendeu dos suportes de lona, madeira, marmore, etc, tudo era possibilidade. com as performances e a era do video art, pop art e o caralho a quatro, já não havia mais o que se experimentar e tudo virou caos! e por consequencia, os artistas contempooraneos só encontram uma saída para inovação no discurso, no conceito! tudo que tu faz é arte, se for munido de bons argumentos... e, como tu disse, os criticos já não sabem mais como reagir por receio, o que é realmente bom? algo inovador, algo agradável aos olhos, algo que te faça pensar...

tchê! arte é sinestesia, é estesia... tu precisa olhar e sentir, te chocar, te apaixonar, te cativar, não olhar, ler bula e entender.

e tenho raiva da escola de artes que não ensina tecnica, que diz que não existe desenhista ruim ou pintor ruim, pois cada um tem sua maneira de se expressar! bullshit!
deve-se ter o minimo de tecnica e conhecimento pra poder seguir uma linha autoral forte (olha a designer falando)... eu espero poder um dia pintar como os realistas contemporaneos, que vão totalmente contra essa necessidade cega de inventar moda, eles te pegam pela maestria e destresa apenas e isso jpa satisfaz imensamente, qualquer expectador.

buenas... acalmando os nervos agora...
bastante enérgica tua crítica! gostei e me empolguei além da conta. estuda no ia?

bjk ponta de lápis de cor!

Stregoica disse...

infelizmente ou felizmente não estudo no IA. sou muito burra para passar no vestibular da ufrgs... apesar de estar volta e meia no meio de vcs. *sou da ULBRA

"tenho raiva da escola de artes que não ensina tecnica, que diz que não existe desenhista
ruim ou pintor ruim, pois cada um tem sua maneira de se expressar! bullshit"

falou tudo, acho que por isso boa parte dos artistas que frequentam a faculdade acabam se decepcionando com o curso ou se desmotivando...
sem duvida ha características individuais que marcam muito um trabalho, mas dizer que tudo é bom e que não pode melhorar é ridículo. Arte contemporanea pede coisas novas e originais, diz que é a arte libertadora, mas a partir do momento que se desfruta dessa liberdade e que se segue nessa busca desnecessária/desenfreada pela originalidade se perde em qualidade.
Cara, me revolta pensar no tipo de artistas que estão sendo “fabricados”, a arte está capitalista, presa por quantidade(de arte e artistas) e não qualidade. Detalhe, quase nenhum artista atual chega aos pés dos artistas de outros tempos... somos todos amadores.
Dizem que arte é cultura, tenho medo de pensar na cultura que nossa geração de artistas está criando..

Tu reclama, mas tu está no meio de pessoas que teoricamente sabem o básico de ‘desenho’, imagina eu que estudo no meio de pessoas que não sabem diferenciar artesanato de arte, que não teem mínima idéia de proporção, ângulo, luz e sombra, volume e ou tonalidades..
o problema é que todos os artistas, bons e os medíocres, estão no mesmo saco..

Esses dias estava pensando, se arte é um reflexo de um momento da sociedade, nos estamos todos numa merda mesmo.

Pâmela Martini disse...

é aquele velho dito popular, que funciona pra qualquer coisa. no caso: "cada época tem a arte que ela merece."

e hoje em dia, são poucos os artistas BONS. E infelizmente, aqui no Brasil, não conheço nenhum. eu amo o ibere (q n é atual, anyway)... e achei meio desconexo, de uma hora pra outra, todo mundo adoraaaaaar ibere, pq fizeram um museo homenageando ele, e patati patata... mas eu considero a arte dele muito pesada pra isso... quase me senti banalizada por gostar tanto dele.
outra coisa que eu e meus colegas concluimos é que, algumas coisas, para sobreviverem, devem permanecer longe da fama e dos holofotes, para que não caia desnecessariamente na vulgaridade e seja esquecida assim que outro 'hit' aparecer.

hahaha... e guria! não te subestima! em que semestre tu ta? poxa... não é o fim do mundo entrar na ufrgs, faz um cursinho de revisão, te puxa e vai com tudo!
^^
a hora que passares la pelo ia da um toque... to todas as manhas lá.

Anônimo disse...

olhei, olhei e ainda não entendi tua cabeça de boi. o.O''

Rafael disse...

Tenho pensado muito nisso também. Tenho acompanhado o teu blog e visto como isto tbm tem te tirado o sono.
Estou entrando no quarto semestre de Filosofia e nesse meio rola muito aquela “fúria de distinção teórica” que no final das contas acho q nunca consegue tocar no q a realidade é (e nem a arte, mais pelo ou menos, assim penso eu, quando se está criando, de uma forma sincera é claro, vc não pensa no fundamento daquilo para além do próprio ato [ a alma fria a gemer e gritar intensidades mudas]). Em meio as minhas crises, tenho sentido impulsos loucos de largar a facu e migrar pra arte de vez (o foda é saber pra onde; como; “há mesmo esse movimento?”)... pensei em um monte de coisa pr escrever aq, mais no meio dessa confusão toda prefiro lembrar, e fazer q se lembre, de um filme q pra mim fala muito de arte, pelo ou menos do eu penso sobre arte (talvez eu esteja até viajando falando de um outro tipo de expressão artística, mas no final o que vale é o estimulo q gera a vontade inevitável de criar) que é o filme Nome Próprio do Murilo Sales. Acho que há ali, de uma forma bem crua e visceral, a necessidade de criação artística mais pura, irrefutável e ingênua.
Não sei, tenho muitas opiniões sobre isso, e outro monte de conceitos insípidos e frágeis (como toda fundamentação teórica). Talvez o citado filme não traga nada de novo ao debate, mais é um tipo de expressão/impulso artística(o) que eu sempre penso nos meus conflitos com a realidade.
Concordo que "cada época tem a arte que ela merece.". Acredito que o que faz de uma época uma época de grandes criações e inovações, seja em qualquer campo, é justamente como a sua geração olha pro passado, reage ao presente e se preocupa com o futuro (isso tudo é até bem obvio), o que eu me pergunto é: até onde nos, o que se chama de contemporaneidade, está preocupado com o futuro? É uma pergunta que eu sempre me faço e às vezes penso que é a resposta que damos a ela que é decisiva quanto ao que queremos fazer e a preocupação que temos com o produto de nossas obras.
Tbm me empolgo em assuntos como este...

Abraços.

Pâmela Martini disse...

barbaridade...

este assunto, tomado apenas dentro dos limites de tudo que é de interesse das artes, por convenção, já é muitíssimo extenso... agora, se partirmos para a filosofia, nunca chegaremos a lugar algum... simplesmente por não haverem valores imutáveis ou constantes para qualquer coisa que seja fruto das emoções humanas e da particularidade estética, fruto da vivência de cada artista.

pouco li e menos ainda sei sobre filosofia, mas penso que para se libertar de toda essa necessidade estravagante e metódica de querer tabelar e conceituar aquilo que conhecemos e/ou criamos, deve-se situar a própria consciência dentro de um
"ambiente", ou realidade mais limitados, para evitar que se enlouqueça antes de situar-se no mundo.
não sei se me fiz entender dentro do contexto...

anyway... sobre o filme nome próprio, ok, é uma mistura de clarah averbuck com arturo bandini e muito mais desespero, e isso caricaturiza um pouco essa necessidade de criar, escrever, etc... se bem que nunca vi o filme, não posso opinar com certeza.

cruzes... estou perdendo o fio da meada... cheguei em casa à pouquíssimo tempo... estou cheia de coisas na cabeça...

mas a questão deve se manter viva!
tenho certeza de que ainda existem mentes capazes de devolverem à arte, uma existência mais concisa e menos pobre, questionadora, mas não vulgar.