terça-feira, setembro 27, 2011

For the old love, the old apologies

Eu lamentei o mundo naquele instante. Ela se esticou e me envolveu o pescoço, linda como sol de praia, sobre saltos pretos envernizados que realçavam os tendões de aquiles. E eu quase senti a velha vontade de devora-la crua, não de desejo, mas de raiva, porque alguns momentos na vida são cruciais, assim como sentimentos são passiveis ao abandono.
Talvez nós tivéssemos viajado pra Alemanha e comido Berlin inteira, com seus punks, pais de família e solteiras gordas mal amadas. Lavado pratos pra fazer festa e decorado cada pedaço de pele uma da outra. Lido poesia em voz alta enquanto a outra toma banho. Essas coisas.
Mas quando a chance morre, a gente enterra a sete palmos e cimenta tudo. Arquiva as memórias famintas e aprende a não querer mais. Aí ninguém mais tem culpa do que acontece, nem do que não se sente. Um dia quebro todos aqueles dentes de desgosto, ou por puro prazer.
Linda.

E ah, certo. O show... o show ficou em segundo plano. Bobby não me enganou, estava velho e cansado. Ambos estávamos.

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