quinta-feira, janeiro 12, 2012

A valsa dos corações perdidos

(Enquanto leem, Patrick tocará minha composição favorita de Joseph Colombo)
Haha. Faz um mês que fugi. Fugi de medo, feito criança que vê bicho endiabrado e corre pra saia da mãe esperando uma mão na cabeça, um “já passou, já foi embora” com voz de mel. Fugi. E tive tudo, menos o bicho longe de mim. Mutty sempre me lembra de olhar pra dentro e rezar, porque o meu bicho tem medo de gente boa. Diz pra eu trabalhar porque ele também tem medo de gente esforçada, e eu sorrio enquanto lavo louça ou leio meus livros do David Icke. Eu inteira falto de tanto amor por ela, ao mesmo tempo em que o coração denuncia aos soluços a saudade que eu tenho do sul.
Poxa, faz um mês. Da pra acreditar? Há um mês estávamos acampados em um apartamento vazio, bebendo Bud e rindo nervoso pra não chorar de boca torta e ter que se esconder. Cara, que merda. Mais um apartamento que não durou um ano, e uma relação que sobreviveu os três. Eu não estou lamentando, prometi nunca lamentar nada. O que restou é patrimônio da lembrança, alimento para o coração. Ponto-nova-linha.
Segunda ele me perguntou o que faria caso perguntassem ‘como eu provaria para alguém que eu a amo’? Ri alto da ingenuidade premeditada dele e disse que ninguém tinha nada a ver com isso a não ser a pessoa por quem sinto. E é verdade. Na real, minha única preocupação é que ela acredite sem que eu tenha que ficar provando a toda hora, como se o sentimento sozinho já não fosse grande o suficiente. Não achas? Porque é. Ele sabe que é. Exigir manifestações de afeto soa inseguro de mais pro meu gosto, como se alguém dissesse: “Me de motivos para continuar dizendo que te amo”, “Me impressione para eu sentir que vale a pena ficar contigo”. É alimentar incertezas com medo da solidão. Assim que tu te das conta de que teus sentimentos não são mantidos pelo que há dentro e sim pelo que vem de fora, não é amor. Ou tu conheces bem aquela pessoa antes de dizer palavritas erradas ou lamenta-te no final, over and over again. Amor não é uma conveniência tchê.
Sim, eu e aquele pau-de-vira-tripa já passamos por bons e maus bocados. Não é mistério pra ninguém. Tu sabes! Já nos pegamos no soco e eu já o peguei no cabo da vassoura (porque não tinha rolo de massa – porque eu não saberia o que fazer com um se não usa-lo como arma doméstica). Mas a relevância desses acontecimentos isolados está exatamente na experiência. Enquanto os espectadores ponderam as frutas podres da nossa relação, nós aprendemos a cuidar das boas, pois a árvore já está tão enraizada que seria uma estupidez leva-la ao chão. Eu não tenho dúvidas quanto a isso. Sofrer faz parte, mesmo há mil quilômetros de distância. Afinal amor não é onda de rádio que só pega dentro de uma região.
E enquanto ao tempo? Tempo é detalhe.
Essa tatuagenzinha “fofa” em nossos respectivos anelares sagrados mostra tudo isso, sem ninguém precisar entender. Até porque não é uma espécie de aliança, e sim um símbolo de não-formalização-da-união. Combinamos assim, como se fosse brincadeira, que um relacionamento não é afirmado por um anel ou por um título, assim como amor não é uma promessa nem uma prova. Por isso que a gente brinca e diz que somos o "anti-casal".
Somos mesmo. Companheiros, irmãos, amantes, pai e filha, filho e mãe, Lampião e Maria Bonita. O que a ocasião nos fizer, seremos.
Ontem ele veio me pedir o RG e o CPF e minha disponibilidade para viajar nos próximos dias.
Fiquei puta da cara e tive vontade de pular na jugular dele de tanto TUDO que eu senti. Agora estou aqui, perdida sem saber o que por na mala, sem saber o que falar. A festa de formatura do Téo é sábado, e eu p r e c i s o estar lá. Foi o que ele disse. Aham. Festa do Téo. Só pode ser um lunático. Um bicho medonho, igual ao meu. A diferença é que este eu faço questão de ter por perto.
(Nós dois no ano novo, mas eu estou no ouvido dele, e no sorriso torto)

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