sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Wouldn't take no for an answer you f*cking bitch!

Aaaah! Era um momento de pura resignação com o serviço de casa, até a Melissa começar a cantarolar Mindless entre as xícaras de porcelana, e as duas terminarem num dueto ainda muito tímido pro meu gosto - afinal era a cozinha, você sabe. Fui correndo pro quarto e ouvi uma, duas, três vezes, balançando a cabeça e sentindo a vibração de olhos fechados. Estrobo que penetrava as pálpebras, acompanhando o ritmo cardíaco, mental, espiritual. Gente desconhecida que completava o ar com conversas vibrantes e descompassadas, e eu jurava que podia ouvir a respiração ofegante daquelas duas dançando do meu lado se prestasse bem atenção. As paredes transpirando. Não tinha importância se errava o passo, amava me render a pista de dança. Era meu vício, minha droga, minha recarga de vitalidade que ironicamente me sugava todas as energias. Foi com ela que aprendi a deixar a vida chata dos dias de semana de lado, a encontrar motivos e estresses inexistentes pra viver a despreocupação em sua totalidade, vomitar os excessos literalmente e continuar se o salto quebrasse.
A noite. Minha vida lado B. Meus mais sinceros erros foram tão doces que eu negava o arrependimento, pois era eu aquela lá, não essa quebradiça e reclusa criatura, que voltou a sumir em meio os ossos enquanto espera os ventos a levarem de volta pra onde pertence. Certo, os erros se acumulam, mas a única coisa de que me arrependo mesmo é ter voltado pra previsibilidade da rotina familiar. Longe de não gostar da família, mas o tempo de dependência passou, e não há mais cabelos cumpridos de mãe pra eu passar os dedos até pegar no sono. Forcei as órbitas contra as mãos abertas e decidi não chorar mais como chorei ontem, nem escrever cartas que nunca entregarei a ninguém.
É mais que hora de assumir essa curva bailada na minha rota, sem louros a serem colhidos - mas ok. Daqui a pouco tudo vai ficar bem de novo, e assim que possível for, eu vou girar o volante de olhos fechados outra vez - pra onde sentir vontade, pelo menos terei aquela certeza boba de que se eu morresse hoje, ou amanhã, ou há dois mêses atrás, eu estaria feliz, sem os arrependimentos comuns que a enfermeira citou.
Sou completa em meu caos, pois é ele que me trás estrutura, e logo, ordem. Não preciso de formação acadêmica pra desenhar, pra viajar, nem pra ajudar a criançada da vila ou os gatinhos da vizinhança. Quero conquistar o mérito de poder me submeter tão somente as minhas vontades, ao meu desejo de realização pessoal que vai muito além de um canudo e um horário a seguir, sem precisar baixar a cabeça.
Enfim.
Chega de Pâmela encolhida naquele cantinho com pena de si própria, como se briga familiar fosse o fim da linha, como se ninguém jamais tivesse sofrido de coração partido. Porque já passou a época de fazer promessas de ano novo. Aqui eu terei meu piano, minhas tintas e minha dieta rigorosa de chás e frutas cítricas pra limpar o fígado e o rim e as vias respiratórias e sei-lá-mais-o-que. Não vou mais desejar o passado, o hoje também tem que valer as saudades do ano que vem.

2 comentários:

Raphael disse...

never wanna to dance with nobody but you....

Martini disse...

Dororo dororo doro ro do do!