quinta-feira, janeiro 17, 2013

Diário de fuga #1

Faziam meses que eu empurrava todas as minhas responsabilidades com esta barriguinha magrela, de forma que a ordem do universo se mantivesse inabalada, e eu, como Pâmela, deixasse tudo para a última hora. O quarto está uma bagunça, as roupas não estão passadas, os sapatos não estão engraxados, nem tirei aquelas malditas bolinhas do meu sobretudo de lã carésimo que ganhei ano passado (ou foi retrasado?). Minhas unhas estão um caco, tenho que comprar suprimentos estéticos, mandar a ilustra pelo correio, esperar os amigos se despedirem e o outro pegar mais uma ilustra... os travel checks, céus! Onde diabos se faz isso? Sequer a passagem de ônibus pra São Paulo eu comprei. Sequer meu monstrenguinho barbado eu avisei. Mas de todas essas pendengas que tenho que resolver em menos de 20 horas, a única certeza é de que a dança maldita dentro de mim só tende a ficar mais agitada.
Não é o thrill pré viagem, e sim o trhill do... "Porque eu to fazendo isso mesmo?"
Aí lembro que é exatamente o questionamento que me motiva, e a perspectiva de poder, durante algum tempo, ser eu novamente. O bicho amorfo, cheio de todos os desejos do mundo, que se alimenta de sentimentos alheios e cultiva amores eternos. E ainda, contra todo esse fluxo, uma coisinha volta a despertar o tesão incontrolável que tenho de tornar minha vida em palavra. Mas dessa vez não há culpa nem medo ou receio... só aquela certeza boa de que a história sempre continuará...

E óbvio... eu, achando que ainda to causando com meu ego-blog.

(Pra que arrumar mala quando se pode jogar tetris e ressuscitar o blog toda vez que se tem algo de vital importância a se fazer?)

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