segunda-feira, fevereiro 23, 2009

As delícias de um frenesi literário

“Confesso que nunca fui uma pessoa muito assídua para leitura, não pela falta de vontade, mas pela falta de disposição para ler qualquer coisa que caia em minhas mãos. Costumo ser muito sensível, e evito estragar meu humor ao ler algo que não agrade de cara, só pra dizer que li. Falo que não gosto sem receios, mesmo que o livro/autor em questão seja o expoente mor da literatura em Pasárgada ou wherever - louvo minha liberdade de expressão”.

Hoje, entretida em uma resenha sobre Martin Amis, notei como meus hábitos de leitura mudaram e, principalmente, meus gostos e interesses por ela, já contraditórios aos de uns dois, três anos atrás. Todo aquele metodismo e concepções cientificistas de uma falsa aspirante à médica acabaram se abalando de tal forma que eu me dei ao luxo de negar a existência deles como parte de mim. Passei por uma reviravolta tão grande em 2008, que me despi de qualquer pudor pelos sentimentos humanos, explorando essa nova fase passional ao extremo. Só então que pude reaver meu latente amor pela palavra em arte, pelo significado, pela subjetividade ou crueza das idéias expostas e não tão somente pelo conceito ou extremo teor de termos técnicos, que eu tanto me afixava em apreender com os livros do Hawking, Kraus, Thorne, etc.
Acabei extendendo meus horizontes, encontrando-me, por vezes, dividida ao falar, por exemplo, do amor com esmero e ao mesmo tempo cinismo. Talvez seja pelo fato de me deixar levar muito fácil por novas paixões e, de início, as velhas ainda estarem presentes. Mas com o tempo eu pego tanto gosto que chego a mergulhar fundo nas coisas que leio, me submeto, quase por completo, à sensação que elas proporcionam. Gosto de idealizar e confabular comigo mesma e não medir escrúpulos ao me deixar envolver, entrando em simbiose com as palavras, frases, idéias e sensações, invadindo-me completamente por esta idiossincrasia temporária, tornando-me outra pessoa, onisciente de um mundinho só meu.


Essa é a verdadeira liberdade da mente... que não julga nem questiona tuas vontades e desejos mais extravagantes, ela apenas te acompanha, se adapta e aproveita.

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