domingo, outubro 30, 2011

Far away from Brasil

Finalmente o tempo abre, mas fecha antes que a gente decida fazer algo, e puxando a pele do rosto com a palma da mão eu me toco que não é Porto Alegre, é Brasil. Nem o clima se salva, muito menos em São Paulo. Mas a ansiedade do pessoal aqui é tanta que não sobra nem suspiro de lembrança má pra contar história, nem depressão, torcicolo ou o caralho a quatro. E a gente resolve andar de bicicleta na chuva mesmo, abrir os braços e sentir o vento na cara, e a lama nos tornozelos, um atrás do outro, feito amigos de infância. E assim é o churrasco, as piadas, e as conversas sérias na cozinha. Quase esqueço do mundo e de tudo que me causa raiva profunda. Porque só aqui tem gente louca de vida, tem um exercito de cães e gatos com personalidade humana, piscina, Sartre, Ramatis e Hawking na mesma prateleira, e se a gente não quer ler, sempre tem um prato pra lavar, um chão pra varrer, uma história pra ouvir. Não tem ninguém doente por essa merda de futebol, novela, não tem beatas, petistas, nem quem leia jornal e diga amém. E aprendemos a viver essa vida alienada, cultivando mais família e menos bullshit. Talvez isso que me faz sentir longe estresse, das pessoas que nada veem além do próprio escalpo, da suscetibilidade e futilidade. Isso é tudo pra mim, e decidi não me render mais a química filha da puta que rege meu cérebro, afinal sou eu quem se nega a tomar medicação, a deixar o trabalho de se conhecer melhor para um terapeuta.
Quero mais dessa coisa faceira e sincera que é estar com a ohana completa. Ok, uma night dnb num clube socialista em Venezia também me faria bem agora.

"Ci vediamo" - ele disse. Mas nem faz tanta falta assim.

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