sábado, março 17, 2012

Uma mera indução

_ O cara era tão bonito que valia a dor de um parto. Tão bonito que me fazia pegar cerveja na geladeira. Tão bonito que eu queria ser homem também e tudo aquilo que eu não era, inclusive o mundo, e o céu. Era o que precisaria ser para não me sentir vazia perto dele. E fui tanto que morri engasgada de mim mesma, e ele morreu de câncer uns anos depois. Só aqui eu descubro o quão completa eu me tornei por ter forçado no destino uma peça errada. Ironia maior foi aprender a amar assim de verdade.
_ E o que tu quer dizer com isso?
_ Crescer dói. Em todos os sentidos possíveis.
_ Haha.
_ É, até nesse.
_ Bom saber.
_ Hum?
_ Que tu superou a futilidade.
_ Não é bem assim... sei lá, talves seja...
_ Morte nunca é fim de nada sabia.
_ Eu sei, mas mudanças também causam medo, quando não são previstas.
_ Uhum...
_ Que foi?
_ Nada... só é bom saber que teu bonito a gente sente e não vê. Mas desculpa, nunca passaria por um parto.
_ JURA!
_ Hahahaha!

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