sexta-feira, janeiro 18, 2013

Negligência

Em 2006 eu tive o primeiro ataque. Segunda de madrugada. Estava sozinha na garagem de casa, e liguei pro cara que eu conhecia a meio ano pela internet. Ele atendeu aos bocejos e tocou músicas no violão pra mim até aquela loucura desaparecer.
Depois disso foram poucos os ataques.
Este ano voltei a tê-los com frequência e, sempre sozinha, fui obrigada a lidar com a violência de pensamentos mais inebriantes e perversos que os de antigamente. Percebi que nas chances que tive de estar com il, mesmo pela internet, a razão custava um pouco mais a fugir, e o ataque (ou seja lá o que raio esses eventos sejam) passava mais depressa enquanto me focava nas palavras de alguém.
Ontem por cargas d'água fui recorrer a pessoa mais estúpida do mundo (daquelas que a gente descarta e recicla por conveniência do ego, pra ver até onde se é influente), porque eu simplesmente não queria passar mais uma noite puxando meus cabelos, batendo a cabeça contra o chão, com medo de sair do lugar. E foi aí que passei cinco horas agonizando com o celular na mão e as pernas pra cima da cadeira, tremendo de raiva, enquanto o sumo destilado de toda essa amargura pintava a mesa, o teclado, o chão. Até finalmente todo aquele ódio sumir, e minha cabeça voltar ao lugar.
Dormi durante sete horas na mesma cadeira, pra acordar com mensagens ofendidas de uma pessoa incapaz de se preocupar com o bem estar alheio, se este não convir para o próprio, e um talho no braço.

Que sirva como um tapa menor do que o esperado, por uma situação inesperada.

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